Espiritualidade, Minha caminhada, Oração

Jesus está no mundo

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Henri Nouwen

As bem-aventuranças nos oferecem um auto-retrato de Jesus. No começo, pode parecer um retrato muito desagradável – quem quer ser pobre, de luto e perseguido? Quem pode ser verdadeiramente gentil, misericordioso, puro de coração, um pacificador e sempre preocupado com a justiça? Onde está o realismo aqui? Não temos que sobreviver neste mundo e usar os caminhos do mundo para fazer isso?
Jesus nos mostra o caminho para estar no mundo sem ser assim. Quando modelamos nossas vidas nele, um novo mundo se abrirá para nós. O Reino dos Céus será nosso, e a Terra será nossa herança. Seremos consolados e teremos o nosso preenchimento; A misericórdia será mostrada para nós. Sim, seremos reconhecidos como filhos de Deus e veremos verdadeiramente Deus, não apenas em uma vida após a morte, mas aqui e agora (ver Mateus 5: 3-10). Essa é a recompensa de modelar nossas vidas na vida de Jesus!

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Cidadania, Direitos Humanos, igreja

PEQUENA BIOGRAFIA DA MÁRTIR IR. DOROTHY STANG

Que a memória dos mártires renove o nosso compromisso de fidelidade ao Reino de Deus, até as últimas consequências, pela prática da justiça, da misericórdia, da solidariedade fraterna/sororal e em defesa-promoção-reconhecimento da igual dignidade, da cidadania.

Edward Guimarães

(07/06/1931-12/02/2005)

«Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.»

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy (Dayton, 7 de junho de 1931 ­ Anapu, 12 de fevereiro de 2005) foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira. Pertencia às Irmãs de Nossa Senhora de Namur, congregação religiosa fundada em 1804 por Julie Billiart (1751-1816) e Françoise Blin de Bourdon (1756-1838). Esta congregação católica internacional reúne mais de duas mil mulheres que realizam trabalho pastoral nos cinco continentes.

Ingressou na vida casa religiosa em 1950, emitiu seus votos perpétuos – pobreza, castidade e obediência – em 1956. De 1951 a 1966 foi professora em escolas da congregação: St. Victor School (Calumet City, Illinois), St. Alexander School (Villa Park, Illinois) e Most Holy Trinity School (Phoenix, Arizona).

Em 1966 iniciou seu ministério no Brasil, na cidade de Coroatá, no Estado do Maranhão.

182919_185408831498178_100000871876042_428898_693080_nIrmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região.

Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e consequente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.

Ir DorothyDentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: «Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.»

Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazônia Revelada.

Assassinato

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, a 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.

imagesdsfgsdSegundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou «eis a minha arma!» e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que logo em seguida lhe balearia.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.

O corpo da missionária está enterrado em Anapu, Pará, Brasil, onde recebeu e recebe as homenagens de tantos que nela reconhecem as virtudes heróicas da matrona cristã.

O fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do crime, havia sido condenado em um primeiro julgamento a 30 anos de prisão. Num segundo julgamento, contudo, foi absolvido. Após um terceiro julgamento, foi novamente condenado pelo júri popular a 30 anos de prisão.

Representações no cinema e na arte

Mataram irmã Dorothy (2009) – documentário do norte-americano Daniel Junge, narrado por Wagner Moura. Apresenta um retrato fiel do crime e das condições que o provocaram.

O artista Cláudio Pastro incluiu Irmã Dorothy no painel em azulejos “As Mulheres Santas”, na decoração da Basilica de Nossa Senhora de Aparecida (SP).


Publicado originalmente em Observatório da Evangelização

Cidadania, Opinião, Política

Esquerda que planta lacração colhe Bolsonaro

Texto de Lucas Pier

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Pode ser que o Bolsonaro vença as eleições presidenciais em 2018. Uma decisão da justiça pode anular a candidatura de Lula. Quem entende de política sabe o que Bolsonaro representa para os trabalhadores, para os indígenas, os quilombolas, os LGBT, para os marginalizados e para a cidadania; sabe do compromisso que ele tem com os oligopólios, com o “patrimonialismo”, com o entreguismo. Sabe do retrocesso que será. Mas a maior parte da população não entende de política e não sabe disso.

A maior parte das pessoas que votará no Bolsonaro não é a extrema-direita que se identifica com seus discursos de ódio, ainda que esta seja sua divulgadora mais entusiasta. A maioria das pessoas que votarão no Bolsonaro são trabalhadores comuns, como os nossos pais, nossos vizinhos, nossos colegas de trabalho que, com justa indignação com a situação no país, se deixam guiar pelo discurso moralista e populista daqueles que se apresentam como salvadores da pátria.

Este é um momento de suma importância para se tentar esclarecer a população sobre o que Bolsonaro representa. A árdua tarefa cultural de esclarecimento, que passa pelo convencimento, para romper com a ideologia dominante, é uma tarefa que exige tempo e paciência. Exige também compreensão das formas pelas quais o status quo reproduz sua ideologia para que não culpemos as pessoas, como se suas convicções fossem o produto de uma consciência puramente individual (nada seria mais idealista). E de que não podemos abrir mão desse trabalho porque são eles que detém a hegemonia cultural, não nós.

Para a pessoa de esquerda que fez questão de xingar e hostilizar quem reproduz tais discursos que tem como base uma visão moralista e preconceituosa, fechou os canais de comunicação com essas pessoas, e o preço a se pagar pode ser a eleição de um Bolsonaro. “Quem apoia este homem, por favor me exclua”. Não é assim? “Racismo, machismo e homofobia não são opinião”. Pois bem, esqueceram-se de que eles eram a maioria, e que esta maioria apoia a minoria que detém os meios de produção, de comunicação e de legislação.

Não estou dizendo que temos que tolerar o fascismo, seja lá qual forma ele assuma. Estou dizendo que temos que tolerar, sim, a pessoas que, por ignorância, reproduzem discursos eventualmente fascistas. E isso não significa concordar ou aprovar. As pessoas têm sim o direito de dizer o que elas pensam. Mandá-las à merda não resolve nada, ao contrário, fortalece sua convicção. Quem age assim se guia pela vaidade, pelo ego. Querer contribuir para tornar nosso ambiente melhor envolve justamente uma abdicação do orgulho para fazer aquilo que é necessário.

Mas é possível mudar a opinião das pessoas com diálogo? Sim, é possível. Já contribui para a mudança da opinião de várias pessoas que (ainda) pensam muito diferente de mim, e só pude fazê-lo porque tenho a paciência de repetir e explicar o que sei quantas vezes for necessário. Se você acredita que a sua manifestação individual ou coletiva é capaz de influenciar mudança no mundo (e caso contrário você nem se manifestaria), então você deve ser capaz de entender que uma manifestação “errada” pode influenciá-lo negativamente. Aquele “fascista” que você xingou pode ser o pobre que você pretende defender; ou pode ser só um sujeito de classe-média que, este sim vai influenciar o pobre que você pretende defender.

Meu apelo é para que vençam o orgulho. Sejam tolerantes e dialoguem. Se não for possível dialogar, ignore. É melhor não fazer nada do que dar uma impressão negativa para quem assiste. Façam isso não por um princípio moral, mas por uma questão estratégica, ou as consequências podem ser pesadas.


Publicado originalmente no JORNAL A PÁTRIA